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CAPÃO DA CANOA

Descobertos os assassinos do vendedor de espetinhos

A solução do caso de assassinato de um vendedor de espetinhos na frente do Clube dos Coroas Boianovski, na sexta-feira 3 de Setembro, apenas serviu para reforçar ainda mais a fama de bom investigador do inspetor José Freitas, da Delegacia de Capão da Canoa, e revelar a má pontaria dos atiradores. Na ocasião, o vendedor de espetinhos ("churrasquinho de gato") Alessandro Goulart da Rocha sofreu um tiro no olho, disparado pelos ocupantes de uma moto que passou na frente do bailão.

Partindo do zero, apenas apoiado em seu senso de observação, adquirido durante 20 anos como policial, Freitas tem hoje duas pessoas indiciadas, que já admitiram o crime. Rovany Fernandes de Brito (28 anos), que fez os disparos e Dieison dos Santos Camargo (21), que pilotou a moto na ocasião.

Quando o inspetor Freitas chegou ao local do atentado, foi logo observar a linha dos tiros. Então percebeu que várias marcas de balas que ficaram na parede conduziam o observador para a entrada do bailão. Conclusão de Freitas: Alessandro não era o alvo. O alvo seria quem estivesse junto ao vendedor de espetinhos conversando e correu em fuga para a porta de entrada do Boianovski no momento dos tiros.

Era preciso encontrar e identificar o verdadeiro alvo. Freitas então ouviu praticamente todas as pessoas que estavam no bailão naquela noite. E descobriu não só quem era o alvo, como também ficou sabendo o motivo do atentado.

Rovany tem um irmão de 18 anos chamado Rovair suspeito de provocar brigas em bailes no interior do município, que por duas vezes foi surrado pelo "alvo", no caso a pessoa que conversava com o vendedor de espetinhos, do lado de fora do clube, no momento dos tiros.

Ao chegar em casa, machucado, Rovair despertou em seu o irmão o espírito de vingança. Rovany se armou com um revólver Tauros Calibre 32 e convidou Dieison para pilotar a moto. Disfarçaram a numerção da placa e partiram para o ataque.

Jamais imaginaram que seriam descobertos. Jamais imaginavam que iam se defrontar com um homem que há 20 anos não faz outra coisa senão desvendar crimes. “Quando existe motivação é fácil descobrir o criminoso”, afirma Freitas.

Confrontados com a dura realidade, tanto Rovany quanto Dieison confessaram o crime e entregaram a arma com que mataram Alessandro, por engano. Como não foram presos em flagrante, não têm antecedentes policiais, são trabalhadores no setor de construção civil e possuem residência fixa, vão responder ao indiciamento em liberdade.

Quanto ao inspetor José Freitas, ele vive a expectativa de se aposentar dentro de poucos dias. Vai juntar o tempo que trabalhou como metalúrgico e os 20 anos como policial e... “adeus às investigações”. Mas seu nome, com certeza, vai ficar gravado na história policial de Capão da Canoa. O próprio titular da Delegacia de Capão da Canoa, Heraldo Guerreiro, é seu fã. "Ele é muito bom nisso".

 

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